
A medicina brasileira acaba de dar um passo histórico no combate ao Alzheimer! A Anvisa aprovou o uso do donanemabe — um medicamento inovador e promissor que pode retardar a progressão dessa doença devastadora.
O que é o Alzheimer e por que ele é tão temido?
A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência neurodegenerativa e atinge, principalmente, pessoas idosas. Trata-se de uma condição progressiva e fatal que destrói, pouco a pouco, a memória, o raciocínio e até mesmo a capacidade de realizar tarefas simples do dia a dia, como se alimentar, conversar ou reconhecer familiares.
Descrita pela primeira vez em 1906 pelo médico alemão Alois Alzheimer, a doença chamou a atenção por causar alterações profundas no cérebro de uma paciente com perda grave de memória e comportamento incomum. Desde então, o Alzheimer se consolidou como uma das maiores ameaças à saúde pública, à medida que a população mundial envelhece.
O grande vilão por trás dessa deterioração cerebral é uma proteína chamada beta-amiloide. Em cérebros saudáveis, essa proteína é eliminada naturalmente. No Alzheimer, porém, ela se acumula de forma anormal, formando placas pegajosas entre os neurônios. Essas placas impedem a comunicação entre as células nervosas e provocam uma reação inflamatória, além de desencadear um verdadeiro efeito dominó de destruição neuronal.
Com o tempo, essas placas se espalham por regiões importantes do cérebro, como o hipocampo (responsável pela memória) e o córtex cerebral (essencial para a linguagem, o pensamento e o reconhecimento sensorial), causando um colapso gradual e irreversível das funções cognitivas. É por isso que o Alzheimer é tão temido: ele rouba não só as lembranças, mas a própria identidade da pessoa.
Sintomas que não podem ser ignorados
O primeiro e mais marcante sinal do Alzheimer é a perda de memória recente. Com o tempo, a situação piora:
- Repetição constante de perguntas
- Dificuldade para acompanhar conversas
- Desorientação no tempo e no espaço
- Mudança de comportamento, irritabilidade e apatia
- Problemas de linguagem e dificuldade para realizar tarefas simples
Nos estágios mais avançados, o paciente pode perder completamente sua independência, necessitando de cuidados em tempo integral.
Quem corre mais risco?
Apesar da causa exata ainda não ser totalmente conhecida, a ciência já identificou alguns fatores de risco:
- Idade avançada: quanto mais velho, maior o risco
- Histórico familiar: presença da doença em parentes próximos
- Baixa escolaridade: menos estímulos intelectuais ao longo da vida
- Doenças como hipertensão e diabetes
- Sedentarismo e maus hábitos alimentares
Mas a boa notícia é que manter a mente ativa, socializar, estudar, se exercitar e cuidar da saúde pode ajudar a retardar o surgimento dos sintomas.
Donanemabe: A arma mais potente já aprovada no Brasil contra o Alzheimer
Agora, a esperança ganha um nome: donanemabe, também conhecido comercialmente como KISUNLA. A Anvisa acaba de aprovar este anticorpo monoclonal revolucionário, que se liga à proteína beta-amiloide, responsável pela formação das placas tóxicas no cérebro de quem sofre com Alzheimer.
Essas placas são uma das principais vilãs da doença, e o donanemabe atua diretamente sobre elas, ajudando a removê-las e, assim, retardando a progressão da perda cognitiva. Em outras palavras: ele não cura, mas compra tempo precioso para o paciente e sua família.
O que os estudos dizem?
O donanemabe foi testado em um extenso estudo com 1.736 pacientes com Alzheimer em estágio inicial. Os resultados foram animadores e cientificamente significativos:
- Os pacientes tratados apresentaram declínio cognitivo 35% menor em comparação ao grupo que recebeu placebo.
- A função cerebral foi preservada por mais tempo, com melhora em testes como o iADRS e a Escala Clínica de Avaliação da Demência (CDR-SB).
- Além disso, houve uma redução visível das placas de beta-amiloide no cérebro.
Como o medicamento é administrado?
O KISUNLA é aplicado por infusão intravenosa e segue um cronograma bem definido:
- Primeiros 3 meses: 700 mg a cada 4 semanas
- Após isso: 1400 mg a cada 4 semanas
- O tratamento pode durar até 18 meses, dependendo do monitoramento da resposta do cérebro
E os riscos?
Como todo tratamento inovador, o donanemabe não é isento de efeitos colaterais. Alguns pacientes apresentaram reações à infusão, dores de cabeça e alterações relacionadas à proteína amiloide (conhecidas como ARIA, que incluem inchaços e pequenos sangramentos no cérebro). Por isso, o uso não é recomendado para pessoas que tomam anticoagulantes ou que possuam angiopatia amiloide cerebral.
Além disso, um teste genético para o gene ApoE4 (uma variante do gene APOE que aumenta o risco de desenvolver a doença de Alzheimer) é indicado, já que pacientes homozigotos para esse gene têm maior risco de desenvolver complicações.
Mesmo assim, a Anvisa considerou que os benefícios superam os riscos em grande parte dos casos e garantiu a aprovação com monitoramento rigoroso e Plano de Minimização de Riscos ativo.
Um marco histórico para a medicina brasileira
A aprovação do donanemabe não é apenas mais um lançamento farmacêutico. É o início de uma nova era, em que finalmente podemos agir contra a raiz do Alzheimer e não apenas aliviar seus sintomas. Para milhões de famílias que enfrentam diariamente o sofrimento da demência, essa é uma vitória monumental.
A luta contra o Alzheimer ainda não acabou. Mas, com o donanemabe, estamos vencendo batalhas importantes. A ciência avança, e a esperança renasce.
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